sexta-feira, 6 de março de 2020

"JORNALISTAS DEVEM SER TRATADOS A PONTA PÉS, COMO CACHORROS" OLAVO DE CARVALHO (2012)


"O Guru de Jair Bolsonaro já ensinava em 2012 como os conservadores devem tratar os jornalistas que, segundo sua avaliação generalizada, são uns drogados e mentirosos, portanto, devem ser tratados a ponta pés, como cachorros, disparou Olavo de Carvalho. Parece que Jair Bolsonaro aprendeu bem a lição, tendo em vista a forma como tem tratado os jornalistas. Entre as grosserias, a mais emblemática, até aqui, foi contra a repórter da Folha Patrícia Campos Mello, Jair Bolsonaro disse "ela queria dar o furo a qualquer preço". A frase gerou revolta.
Dia 18 de março jornalistas farão um protesto contra Bolsonaro em Brasília.
A ideia é reviver a foto histórica de fotógrafos de braços cruzados em oposição ao último presidente da Ditadura, João Figueiredo - muito admirado pelo atual presidente."

Fonte: Canal "Jornalistas livres.".

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

73'SLAM, PRIMEIRA BATALHA DE POESIAS ACONTECE NO DIA 14 DE MARÇO

Cartaz de divulgação


Dia 14 de março, em Teixeira de Freitas-BA, acontecerá a primeira edição do 73'SLAM, uma batalha de poesias. A iniciativa é de um grupo de jovens criado no WhatsApp. Na produção, temos Iasmym Dionor, principal idealizadora, Evenny Silva, Wenderson Souza, vulgo Amendoim, e outros jovens, além dos apoiadores, Flávio Baianino, da Ong Acuba e Rosilene Rocha, poeta e ativista cultural.

Trata-se de arte independente, realizada pela periferia e para a periferia, haja vista que não há incentivo por parte dos gestores públicos em olhar para os poetas que estão a margem da sociedade. Pode-se dizer que o SLAM'73, além das batalhas de rimas e dos saraus que já acontecem na cidade, juntos, dão nome a literatura marginal - esta que tem tido voz e adentrado a Academia como objeto de pesquisa.

A fim de que o leitor possa conhecer melhor o que é esta modalidade de poesia, segundo Melissa Duarte, em artigo para o "Correio Braziliense", o slam nasceu em Chicago, Estados Unidos, nos anos 1980. Mas só foi chegar ao Brasil duas décadas depois. De acordo com as pesquisas realizadas, no Distrito Federal, começou em 2015, com o grupo Slam DéF.  Para Will Junio, criador do grupo, eles aceitam qualquer pessoa, de qualquer idade, de qualquer cor, raça, etnia e orientação sexual e que a ideologia deles é abrir espaço para as vozes da periferia. 

Para a doutora em literatura pela Universidade de Brasília (UnB) Bruna Lucena“Slam é mais uma forma de marcar a identidade cultural própria e mostrar que a periferia produz sua própria cultura. É um movimento de ocupação, de resistência”. De acordo com Bruno Molinero, colunista da Folha Uol, as regras podem variar de evento para evento, mas seguem um padrão. Cada poeta só tem 3 minutos para apresentar seu texto, sobre qualquer tema, e não pode fazer uso de instrumento musical, figurino ou cenário.

Nessa perspectiva, também ocorrerá o primeiro evento de Slam de Teixeira de Freitas. Aos teixeirenses; o convite para prestigiar deste evento cultural que tem a cara da juventude, aos poetas, sobretudo, esses que escrevem seus poemas e arquivam nas gavetas, uma intimação: Inscrevam-se na batalha de poesias, venham tornar a sua arte instrumento de luta e resistência para a cidade que, de acordo com o IBGE (2017), ocupa a sétima posição de mais violenta do país. Nesse viés, os interessados em participar, podem entrar em contato através do link https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSff6esWzDJFwMsLmBk6TXdHkHtVBYox1RVzZSC0GjJX5PRQrw/viewform?vc=0&c=0&w=1.  Telefone de contato: (73)991927326 e (73)98899-6515.


https://www.romanews.com.br/noticias/a-arte-contra-a-violencia/4957/

REFERÊNCIAS:

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

B BOY E MC LUCAS SHARINGAN VENCE BATALHA DA ILHA EM GURIRI


Fonte: https://www.instagram.com/p/B7_cZJHFJDH/

Neste domingo, 02 de fevereiro, ocorreu em Guriri - ES, mais uma edição da "Batalha da Ilha". A cidade de Teixeira de Freitas - BA, foi representada por Lucas Sharingan, que após duelar com 5 oponentes, levou o prêmio. 
A fim de coletar informações sobre a cultura Hip Hop em nossa cidade, a redação do blogue entrou em contato com o B boy e Mc  a fim de traçar um pouco da sua biografia artística e contar como foi a Batalha da Ilha. 
Antonio Lucas Costa Carvalho tem 23 anos, nasceu em Teixeira de Freitas, e atua como produtor cultural. Em conversa, o mesmo disse que começou como Dançarino de Break dance há 9 anos. "O seu primeiro grupo de Dança foi o star Texas Crew que se reunia na praça da Bíblia. Após sair desse grupo alguns anos depois, ele e amigos fundaram um novo grupo chamado Feeling Squad que até hoje atua no cenario cultural da cidade. Mais tarde, Lucas também decidiu sair do referido grupo, e  hoje, atua solo na carreira de dançarino.
Em sua trajetória, contou que já participou de vários eventos de Break e eventos de Mc em outras cidades, como a Batalha City, em São Mateus e na Batalha Origrafes, na grande Vitória. De acordo com as informações obtidas, Lucas e outros companheiros foram pioneiros da cultura Hip Hop em Teixeira, o que oportunizou o surgimento de vários MCs, que resultou na Batalha do Poste.
Não pode deixar de mencionar a importância da Ong Acuba, a qual participa e diz que faz toda a diferença na produção dos eventos.
Acerca da sua estadia no estado do Espírito Santo, disse que, lamentavelmente, em Teixeira não há muito espaço para a sua arte, haja vista que há muita desvalorização por parte dos representantes políticos. Ele, que é jovem oriundo da periferia, consciente da pobreza que assola os bairros periféricos, sente na pele a falta de oportunidade para crescer artisticamente  e traçar outros caminhos que não seja as manchetes policiais.
Devido ao desinteresse do poder público em investir em cultura, e devido a problemas pessoais, esteve longe das batalhas por cerca de 2 anos, e enfrentou muitas dificuldades. Infelizmente, Sharingan sofre de crise de ansiedade, e isso inibi a sua vontade de fazer arte para quem precisa de arte, segundo o mesmo. Todavia, agora,  ele decidiu dar seguimento ao que ama fazer, pois, vê no Hip Hop, uma motivação para vencer os obstáculos. Daí surge a ideia de alçar voos para outras cidades, como Guriri, que tem a Batalha da Ilha, que oportuniza jovens de outros estados poder competir. 
Lá, ele contou que dentro do evento ocorreu a Batalha dos personagens, onde cada oponente escolhe um para representar. Ele disputou contra 5, e levou o prêmio que foi um pote de açaí. Acerca da premiação, ele disse que não há muitos patrocinadores para os eventos, então, o pessoal que organiza faz o que está dentro das possibilidades. Na Batalha da Ilha, quem patrocinou foi a "Ohana Açaí". 
Fonte: https://www.instagram.com/p/B8HFd6pFP-0/
Ao final da conversa, Sharingan disse que está animado, pois atualmente, participa de um grupo de Rap chamado Q.iClan, juntamente com o Mc Dena e  Mc M2, que estão com ele lutando por espaço e reconhecimento, que é como a sua família, pois ambos se apoiam e acreditam no potencial do grupo.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Aos possíveis destinatários de "Carta poema", de Cynara Novaes

Acervo particular

 "Carta poema", de Cynara Novaes (Opção Editora, 2015, 162 páginas)


"Que ninguém se engane: só se consegue a simplicidade através de muito trabalho", escrevera Clarice Lispector e, com esta citação, inauguro as linhas que seguem a respeito do livro que li recentemente: Carta poema, de Cynara Novaes. 
Com o olhar de quem tira a poeira do cotidiano, ela deu à luz a poemas com cheiro de quintal de infância, fruta colhida no pé, e tantas outras sensações que a leitura de seu livro é capaz de permitir. Nesse sentido, detenho-me na palavra "simplicidade", pois o leitor deparar-se-á com uma linguagem tão simples, que ouso dizer que não há quem não a compreenda. 
Em sua totalidade, o livro reúne 147 poemas e, a princípio, comento "Poeminha para Maria". Nele, pode-se perceber pequenas verdades que nos passam despercebidas na vida, como tantas "Marias" que trabalham submersas em cozinhas, e que com certa alegria dão brilho às panelas, mas que perdem os seus. Diria que são verdades cotidianas que humanizam o nosso olhar diante do que outrora passava despercebido, e chama a atenção para a sutileza com que a poeta deixa marcas do seu posicionamento social:

"Na sala o gol alto.
Silêncio por todo o quarto.
Lá no fundo, na cozinha,
as panelas viram brilho
e Maria perde o seu.
À essa hora, 
parece que todas as mulheres
estão lavando panelas"

Conforme pode ser lido acima, percebe-se a denúncia acerca da alienação causada pelo futebol, concomitante a isso, na cozinha, encontra-se "Maria", que está a mercê de um descaso social. Ler que "as panelas viram brilho e Maria perde o seu" causa incômodo, pois "gente é para brilhar", como canta Caetano Veloso.
Há outras cenas do cotidiano, e nelas, Cynara rememora lembranças de infâncias e demais experiências. Ela traz personagens que possivelmente fizeram parte de sua história e isso permite a compreensão de que estamos diante de uma das suas fontes de inspiração. Desse modo, não passa despercebido a relação que  ela mantinha com aqueles que a rodeavam, especialmente, a sua família. Como não se encantar com a memória que diz respeito a um avô em "Essa tal solidão"? 

Essa tal solidão
Meu avô falava
sobre uma certa solidão intelectual.
Eu, certo dia, lhe perguntei:
- Como é isso?
Ele me respondeu como quem já partia:
- É não ter com quem partilhar
leituras, previsões do tempo,
perfumes de varais,
caminhos sem acostamentos
carteiras repletas de histórias,
mas ausentes de sentimentos.
É falar outra língua,
é sentir-se forasteiro
em nosso próprio lugar.
É viver e faltar.
A benção, vô.
Eu, hoje, também, vivo e falto,
por vezes, vivo mais que falto"

A marcação de travessões no poema apresentam avô e neta num diálogo afável que demonstra carinho e respeito para com a sabedoria daquele que explica. Trata-se de uma troca de experiências e da experimentação da vida por parte de quem indaga.
Conforme já foi pontuado, percebe-se muitas lembranças familiares, sendo assim, ressalta-se que além do avô, Cynara conta de sua avó e de sua mãe. Especificamente, nessas memórias, enquanto leitora - que lê pelo prazer, e não apenas pelo interesse em resenhar, devo dizer que não conheci nenhum de meus avós, e que fiquei desejosa de ter vivenciado algo semelhante ao que li em "Bonina":

"A beleza da palavra e o colorido da flor
compunham a riqueza do jardim da minha avó
Pequeno, simples até...
A casa de madeira de pintura desbotada
deixava entrever um rosa seco e o verde como que saído da cana
Era lá, perante o desgaste da casa, que a Bonina florescia
Minha avó chamava-me para vê-la
nas raríssimas vezes em que eu a visitava
Tenho na memória a imagem da flor,
mas, o nome perdeu grande parte do encantamento...
Belo mesmo era ouvi-lo dito por ela,
quando pegando-me pela mão falava:
Venha criança pequena, ver o sorriso doce
que nos oferece a Bonina..."

“Todo poeta é um fingidor”, é o que diz um dos poemas de Fernando Pessoa. Todavia, ao ler Cynara, não há dúvidas da veracidade dos sentimentos de seus versos. Há um misto de emoções que bailam diante dos olhos, que sensibilizam, sobretudo, que nos levam para dentro – onde a palavra lida faz morada.
“Carta poema” é para ser lido e relido, como quem deseja provar mais uma vez de algo que comeu e, tendo gostado bastante, deseja repetir, mesmo poemas pequenos como “ Cantiga”, que diz assim:

“As meninas e a roda,
As rodas das meninas.
A roda do carro passou,
Atrapalhando a brincadeira das meninas”

Crianças brincar na rua é algo quase escasso nestes tempos tecnológicos e violentos. Em apenas quatro versos, é recorrente a imagem de crianças brincando, e, além disso, é recorrente em mim o tempo em que era eu quem brincava de roda. Desta maneira, recordar cenas como estas trazem alegria, todavia, além desse sentimento, ler que um carro passou e atrapalhou uma brincadeira de roda, causa indignação, pois é como se a roda do carro atrapalhasse a minha leitura.
Mais adiante, também encontramos metalinguagem e até diálogo com o leitor. Acerca da primeira citada, considero uma das formas mais incríveis de escrever, pois é Poesia sobre Poesia, é sobre a condição de ser poeta. Isso pode ser percebido no poema “Parceria”, que diz: “Quero fazer um poema, uma poesia/Mas falta cor, som, harmonia(...).
Sobre o segundo citado, em “Ensaio”, especificamente nos últimos versos, Cynara situa o leitor do seu poema, ela diz: “Oh, como me encantam as possibilidades.../Eu escrevendo e você, possivelmente, lendo (...)”. Particularmente, enquanto leitora, gosto muito de ser citada nos textos. Desta feita, assim como admiro Machado de Assis, também admiro a poeta que resenho.
Aos possíveis remetentes, Cynara deixou seu “Endereço”, e para que nenhum remetente-leitor se perca no caminho, convém o poema na íntegra:

“Moro no principio da delicadeza,
onde o traço do sentir se inicia.
Na formação do sereno,
no descanso das palavras,
na curva da letra, no risco,
no pensamento que se estende pelo silêncio a fora.
Conjugo-me no presente. Não tenho memórias do passado.
Encontro-me no vão entre os parágrafos,
no sussurro das entrelinhas,
no perfume adocicado do poema,
Nos sutis sinais que avisam da curva,
a chegada da inspiração.
Moro nas coisas pequenas.
Encontro-me nos detalhes que quase somem,
na partícula do trigo, muito antes do pão,
no espaço entre o sopro do verde sobre a pele do chão...
Moro no movimento suave da pálpebra que anuncia o sono,
no intervalo entre a respiração e o beijo.
Sim, resido na delicadeza como o sereno e a manhã,
como o desenho e o grafite...
E sempre me encanto.
E nunca desejei outro endereço.”